Muito já foi dito há séculos sobre os mistérios que regem amor e paixão. Do matemático Pascal: “O amor tem razões que a própria razão desconhece”, até Albert Einstein: “Como a ciência poderia explicar um fenômeno tão importante quanto o Amor”….?

Resultado de imagem para imagens de livros sobre a neurociencia e o amorUma das mais fascinantes descobertas das neurociências é que sentimentos considerados inefáveis como o amor, a paixão, o desejo estão relacionados a determinadas substância químicas. A ideia de uma poção do amor que fizesse o outro – ou a outra – se apaixonar esteve presente nos contos de fada e na imaginação popular. Mas como o cérebro percebe e modifica sua química e seu funcionamento durante a ligação entre duas pessoas? O que acontece desde o primeiro encontro, a percepção de se estar apaixonado e a chegada do amor? Em se tratando de amor, a neurociência ainda está engatinhando nos estudos.(Nota do Monicavoxblog-O assunto de hoje é o amor humano,relacionamento amoroso entre duas pessoas,não sobre o amor incondicional-este será pauta para outro post que está em formatação-aguardem)

A luliberina e o desejo

Em pesquisas com cobaias em laboratório, ficou comprovado que a luliberina ou Gn-RH quando introduzida no organismo do macho provoca o desejo irrefreável de cópula. Na verdade, após ter contato com a substância, o organismo vai tentar copular com a primeira fêmea que encontrar em seu caminho. As fêmeas, do seu modo, também reagem de forma intensa quando recebem a luliberina, mostrando-se receptivas aos machos.No organismo dos seres humanos, esta substância química possui o mesmo efeito do que nos cobaias estudados. Porém, para que tenha eficácia teria que ser introduzida diretamente no cérebro. Naturalmente, este composto é produzido no hipotálamo e controla os hormônios que ativam o desejo. Uma pequena quantidade no diencéfalo já mostra-se suficiente para desencadear um desejo tão grande que mal pode ser contido.

Mas além do desejo físico, o amor contempla outras necessidades.

Resultado de imagem para imagens de livros sobre a neurociencia e o amorA vasopressina, a oxitocina e a fidelidade

Tom Insel, um importante neurocientista da Universidade de Emory, conseguiu demonstrar que a vasopressina possui íntima relação com a manutenção da fidelidade de um casal de cobaias, mais específicamente, de arganazes-do-prado, um típico roedor dos Estados Unidos.

Se injetada no organismo de um macho, a vasopressina faz com que este permaneçam ao lado de sua companheira e não a abandone. Por uma curiosidade da natureza, a vasopressina não possui o mesmo efeito se aplicada nas fêmeas. Para que as fêmeas tenham despertado o sentimento de fidelidade é necessário o uso de outra substância, a oxitocina.

O que Tom Insel fez, experimentalmente com os arganazes-do-prado, foi semelhante ao que acontece na natureza, porém, após as primeiras cópulas. Quando atingem a maturidade para criar uma nova geração, estes roedores copulam intensamente durante um dia inteiro. Após o período de mais ou menos vinte e quatro horas, o corpo libera automáticamente vasopressina, no caso do macho e oxitocina, no caso da fêmeas.Assim, os arganazes-do-prado são uma espécie naturalmente fiel depois do primeiro encontro, defendendo o seu habitat juntos, e, se um deles morre, o outro continua sózinho até a morte.

A única diferença entre o experimento do neurocientista e o que acontece na natureza é que, na natureza, é necessário um dia inteiro de cópula para liberar as substâncias da fidelidade, enquanto que em laboratório foi conseguido efeito idêntico apenas com as substâncias correspondentes.O que é curioso não é apenas o fato de uma única substância ter um efeito tão duradouro na vida destes roedores. Também foi possível comprovar que sem a oxitocina e sem a vasopressina, os animais não ficavam fiéis, ainda que tivessem a forte experiência de um dia inteiro de cópula.

Aqui é preciso ressaltar que as relações de amor e fidelidade entre seres humanos são bem mais complexas. Segundo diversos estudos, a monogamia é predominante, porém esta fidelidade com o parceiro não só pode não durar uma vida toda como relações intensas sexualmente, ao contrário dos arganazes-do-prado, não surtirem o efeito da fidelidade, do anseio para ter próximo, do sentimento de que a pessoa é única e insubstituível.

No caso, a diferença entre o ser humano e os animais estudados é que nós temos o córtex cerebral muito mais desenvolvido. O córtex é responsável pela razão, pela capacidade de abstração (se colocar além dos sentidos e sensações), e, mais importante, pela autoconsciência.Ou seja, as substâncias que são ativadas e são responsáveis pelo desejo, pela atração, pela saudade e vontade de ficar próximo para sempre (fidelidade) podem estar atuantes em um corpo. Porém, a consciência do que está acontecendo pode fazer com que, embora fortes, tais sensações e sentimentos sejam rechaçados. Quer dizer, o ser humano pode se deixar levar pelo que sente ou pode, a partir de sua consciência, ir contra e superar a necessidade que vem do corpo.

Resultado de imagem para imagens de livros sobre a neurociencia e o amorO amor como uma droga

Não é difícil fazer uma analogia entre o amor e as drogas. Uma pessoa que está amando outra, pode ter tão forte o sentimento de dependência que seu estado assemelha-se a um dependente químico. É apenas uma analogia, mas para a neurociência possui o seu fundo de verdade.Analisando o cérebro de diversas pessoas que estavam amando loucamente, os neurocientistas Andreas Bartels e Semir Zeki descobriram que as áreas ativadas no cérebro quando tais pessoas pensavam ou viam os parceiros amorosos eram próximas das que ficam ativadas com o consumo de drogas. Quer dizer, o padrão de atividade, segundo eles, é muito parecido no amor apaixonado e no vício do uso e abuso de substâncias químicas como a cocaína e heroína.

E como isto funciona?

De acordo com estudos recentes, tanto a cocaína quanto a heroína atuam nas mesmas áreas do cérebro que as substâncias ligadas ao desejo e a fidelidade, ou seja, a cocaína e a heroína atuam em circuitos cerebrais que também ficam ativados com a oxitocina e a vasopressina. No dinamismo fisiológico cerebral, após a atuação destas substância há a liberação da dopamina, que, conforme já vimos, possui relação com o prazer e a atenção.

Mas será que podemos dizer mesmo que o amor é como uma droga?

“O neuropsicólogo Jaak Panksepp chega a comparar o amor à dependência química: em um caso, fica-se dependente da droga; no outro, de uma pessoa. Essa similaridade se torna especialmente evidente no instante da separação: sintomas de privação são observados tanto quando a droga é retirada quanto no momento em que a pessoa amada diz adeus. Nos dois casos, as consequências são sensações de solidão e abandono, falta de apetite, tristeza, insônia e irritabilidade” (KLEIN, 2005, 139).

Vejamos os estágios;

1º) Vivenciando a aproximação

Olhares que se encontram, corpos que se comunicam, coisa de pele. Sim isso realmente existe, o corpo percebe essa avalanche química através do cheiro. Aí, nos conectamos com pessoas com identidade imunológica complementar a nossa.

2º) Do primeiro encontro a paixão

A partir deste momento, depois da atração irresistível inicial, a química cerebral produz uma turbulência de impulsos.

1. Começa com atração sexual, com aumento da testosterona em ambos os sexos, inclusive nas mulheres
2. Depois vem a paixão avassaladora, um não vive sem o outro, o dia não começa enquanto você não me telefonar, e ai o cérebro esta repleto de dopamina.
3. Depois vem a ligação afetiva mais sólida o companheirismo, manifestado nas mulheres pela ocitocina e nos homens pela vasopressina.

3º) Bem vindos ao Amor

Aqui é tudo bem mais complexo, “Enquanto crescemos, vamos criando um conceito da pessoa por quem iremos nos apaixonar”, explica Semir Zeki, neurologista da University College London e autor de estudos sobre o cérebro das pessoas apaixonadas.

Mapa cerebral do amor apaixonado

As técnicas de neuroimagem funcional permitiram mapear as regiões cerebrais ativadas e desativadas durante a paixão e o amor. As áreas cerebrais envolvidas passam a apresentar maior irrigação sanguínea, metabolismo mais intenso e maior atividade dos neurônios. As estruturas cerebrais envolvidas na paixão são a Amígdala e o Córtex pré-frontal. A amígdala é responsável pelos nossos sentimentos primitivos, como medo, raiva, euforia, tristeza. O córtex frontal é responsável pelo discernimento da razão. Na fase inicial da paixão, ativamos a Amígdala e desativamos o córtex pré-frontal, portanto existe uma gama de sentimentos primitivos misturados, com ausência total de razão. Essa turbulência emocional foi denominada pelo psicólogo social Stanley Schachter de “estranho elixir da paixão”.

Dependendo dos indivíduos envolvidos, uma experiência de paixão desenfreada pode provocar alteração de humor semelhante à provocada por drogas como a cocaína e a anfetamina.

 Relacionamentos duráveis

Existem casais que estão juntos há décadas e ainda se dizem apaixonados. Cientistas dos EUA monitoraram o cérebro de pessoas nessa situação e constataram que as áreas do cérebro relacionadas à paixão e aos romances realmente se acendiam quando elas pensavam na pessoa amada. A paixão pode, sim, durar para sempre. Mas isso só acontece com algumas pessoas – e ninguém sabe por quê. Os pesquisadores disseram que esses casais têm o mesmo “mapa amoroso” cerebral que animais que mantêm os mesmos parceiros por toda a vida, como “os cisnes, os arganazes e as raposas cinzentas”.Aqui vão dicas de estudos que ajudam a cultivar paixões saudáveis que propiciam amores duradouros:

– Evitem brigas pelo telefone ou via internet. Quando estamos pertinho, olho no olho,quando existe realmente amor, a energia de paz deve  prevalecer;
– Exercite o senso de humor;
– Iniciem novas atividades em conjunto;
– Exercitar o perdão é fundamental, às vezes ser feliz é mais importante do que brigar para saber quem tem razão; – Manter ativa a paixão reafirma sentimentos de proximidade e carinho.

– E por último: COMPROMETIMENTO. Pessoas cujos comprometimentos sejam fracos interpretam o comportamento do seu parceiro mais negativamente, opõe com o tempo pode se destruir uma relação. Quando se tem firme intenção de manter um relacionamento, os problemas conjugais são mais facilmente relativizados.


Resultado de imagem para imagens de livros sobre a neurociencia e o amorVisão pessoal…

È muito interessante que possamos descobrir quais substâncias químicas e quais áreas do cérebro apresentam relação com o desejo, com o amor, com a fidelidade. Porém, como disse no começo e ao longo do texto, é necessário ter cautela ao pensar sobre tais relações.Em primeiro lugar, existem as diferenças individuais e de organismo. (E aqui não só de uma espécie para espécie, mas também as diferenças entre uma pessoa e outra). Em segundo lugar, é preciso saber que ainda que haja a presença de uma substância química, o ser humano possui a capacidade de abstração, de reflexão, de consciência sobre os seus próprios sentimentos e pensamentos.Assim, ainda que alguém se apaixone, pode sufocar a enorme torrente de sentimentos por vários motivos, como pressão social, distância, desinteresse pelo outro ou um ideal qualquer, como focar os esforços na carreira ou partir para um caminho ligado ao ascetismo e à espiritualidade.Portanto, podemos dizer que tais substâncias químicas, assim como as drogas, possuem efeitos no cérebro e em todo o corpo. Porém, uma parte do cérebro está como que em um nível acima, na capacidade de considerar e refletir sobre o que está acontecendo.A vida não é um filme, um livro de romance ou algo em que o acaso(?) é o único dono do destino, sem possibilidades de atuação. Nós podemos começar a fazer novas escolhas mais satisfatórias e adequadas para nossa felicidade e também da pessoa ao nosso lado. Observe que para tudo na vida, de modo geral, as pessoas dedicam muito tempo para se aperfeiçoarem: estudando, treinando e vivenciando, por exemplo, o trabalho, os esportes, algum novo curso etc., mas no assunto relacionamento tudo parece diferente. Muitos se deixam levar e ficam a mercê do destino e do acaso. Frases como: o que tiver que ser será , quando a gente menos espera a pessoa certa aparece , etc… Todos já ouviram várias vezes. E se esquecem que devem preparar e cuidar dos pensamentos e da maneira com que escolhem quem estará ao seu lado. Deixar de enxergar o outro como ele realmente é, faz com que as pessoas deixem de viver novas experiências para se entregar a padrões criados em sua mente. Portanto, fecha-se os olhos para uma realidade que mais dia ou menos dia aparecerá. Isso se torna um grande problema, pois a ilusão não perdura para sempre e, portanto, após a descoberta, vem a decepção. Sentimento de fracasso, desgosto e desilusão são muito negativos e poderiam, em muitos casos, serem evitados se houvesse uma preocupação com atos e escolhas. Quem disse que o príncipe encantado existe? Alguém já o viu? E quem arrisca dizer que sim? Será essa pessoa um príncipe encantado de verdade ou uma pessoa normal que você enxerga através de lentes e distorções produzidas pela mente?  Importante lembrar que homens e mulheres, também buscam uma pessoa perfeita (essa percepção vai variar de pessoa para pessoa, segundo seus critérios de aprendizagem prévia), mas não dão o nome de princesa/príncipe encantada(o). Ou seja, todos querem um relacionamento feliz e harmonioso. Cada um dentro de sua realidade e contexto de vida. Não podemos esperar a perfeição se não somos perfeitos. Já contava uma história antiga de que um jovem, muito bonito, inteligente, saiu em busca de uma mulher perfeita, por não achar na sua cidade, saiu pelo mundo a procurá-la. Anos depois, voltou a sua cidade natal, sózinho e todos perguntaram se ele havia achado o que procurava em sua viagem. Ele respondeu que sim. E todos curiosos queriam saber onde estava essa mulher, e então ele respondeu: Não estamos juntos. Ela também estava buscando o homem perfeito e foi procurá-lo mundo a fora. O romance além da atração física deve surgir das afinidades e dos objetivos em comum entre duas pessoas. Isso é muito importante, para que se possa compartilhar a vida em diversos momentos, como fazemos com nossas famílias e amigos. Para isso é preciso aproveitar a oportunidade de conhecer o que há de melhor em cada pessoa, independente do fato de que ela será seu namorado (a), esposo (a) ou não. Compartilhar a vida é também aceitar o outro como ele é e poder abstrair seu melhor. Criar novas amizades, novos conhecimentos, que podem ser importantes em sua vida de outras maneiras e não sómente como um romance. Não se pode ou deve depositar suas carências e dependência no outro. Ser livre e saber viver para si, é fundamental.Algumas pessoas vivem a vida como se existisse um concurso para eleger quem será o seu companheiro amoroso (a) e com esse comportamento, deixam de aproveitar os momentos e viver o presente, deixam de viver a vida como ela é. O problema surge quando a pessoa escolhida não condiz com o modelo imaginário, então, já não há mais interesse. Será que se relacionar é apenas ter outra pessoa ao lado que supra as carências? Ideal seria aceitar o outro como ele é e tê-lo ao lado por admiração concreta e real. As carências deveriam ser supridas por cada um e não por outra pessoa.Existem muitas maneiras de se viver a própria vida ao lado de outra pessoa. Viver uma ilusão sem dados reais leva a frustração. A vida é feita de momentos e de sonhos que podem ser concretizados se houver interesse e dedicação. Deve-se aproveitar a vida e vivê-la intensamente. Aceitar as experiências reais, vividas com verdade, assim fica mais fácil encontrar alguém muito especial…..


Inspiração….

Estudos do laboratório de Neurociência e Comportamento do instituto de Biociências da Universidade de São Paulo-USP

cropped-cropped-cropped-cropped-preto-e-branco11.jpgMonicavox


Recomendo…

Imagem relacionada

Resultado de imagem para imagens de livros sobre a neurociencia e o amor

Resultado de imagem para imagens de livros sobre a neurociencia e o amor

 

Resultado de imagem para imagens de livros sobre a neurociencia e o amor

 

Anúncios

Um comentário em “Muito já foi dito há séculos sobre os mistérios que regem amor e paixão. Do matemático Pascal: “O amor tem razões que a própria razão desconhece”, até Albert Einstein: “Como a ciência poderia explicar um fenômeno tão importante quanto o Amor”….?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s