Pensando com Jiddu Krishnamurti…..

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A Vida é um Movimento sem Fim

Eu acho que é sempre importante fazer perguntas fundamentais, mas quando fazemos uma pergunta fundamental, a maioria de nós está a procurar uma resposta, e desta forma a resposta será invariavelmente superficial, porque não existe resposta “sim ou não” para a vida. A vida é um movimento, um movimento sem fim, e para investigar esta coisa extraordinária chamada vida, com todos os seus aspectos inumeráveis, devemos colocar perguntas fundamentais e nunca ficar satisfeito com as respostas, por mais satisfatórias que estas possam parecer, porque no momento em que obtiver uma resposta, a mente chega a uma conclusão, e uma conclusão não é vida – é meramente um estado estático. Assim o que é importante é fazer as perguntas fundamentais mas nunca ficar satisfeito com as respostas, por mais inteligentes e por mais lógicas que sejam, porque a verdade da questão reside para além da conclusão, para além da resposta, para além da expressão verbal. A mente que coloca uma questão e fica satisfeita com uma mera explicação, uma expressão verbal, permanece superficial. Apenas a mente que coloca uma questão fundamental e que é capaz de perseguir essa questão até ao fim – apenas uma mente desse tipo é que pode descobrir o que é a verdade.

Jiddu Krishnamurti, in ‘Talks and Dialogues’

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O Caminho da Verdade

Afirmo que a verdade é uma terra sem caminhos definidos, e que não a podemos abordar por qualquer caminho que seja, por nenhuma religião, por nenhum credo. Este é o meu ponto de vista, e adiro a este de forma absoluta e incondicional. A verdade, sendo ilimitada, incondicionada, inacessível por qualquer caminho que seja, não pode ser organizada; nem deve nenhuma organização ser formada para liderar ou coagir as pessoas para seguir um caminho em particular. Se entender isto, então compreenderá quanto impossível é organizar uma crença. Uma crença é uma questão puramente individual, e não é possível organizá-la. Se fizer isso, esta crença torna-se morta, cristaliza-se, tonar-se um credo, uma seita, uma religião, a ser imposta a outros.

Jiddu Krishnamurti, in ‘Krishnamurti: 100 Years’

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Entrevista com Jiddu-

O senhor nunca menciona Deus. Ele não tem lugar nos seus ensinamentos?

Krishnamurti: Você fala muito a respeito de Deus, não fala? Seus livros estão cheios Dele. Você constrói igrejas, templos, faz sacrifícios, pratica rituais, celebra cerimônias e tem uma porção de idéias a respeito de Deus, não tem? Você repete a palavra, mas seus atos não são divinos, são? Embora você venere aquilo que chama de Deus, seu comportamento, suas idéias, sua existência não são divinos, são? Embora você repita a palavra Deus, você explora os outros, não explora? Você tem seus deuses — hindus, maometanos, cristãos e todos os demais. Você constrói templos e quanto mais rico fica, mais templos constrói (risos). Não riam, vocês fariam o mesmo — só que ainda estão tentando ficar ricos — essa é a verdade.

De forma que você está familiarizado com Deus, pelo menos com a palavra Deus ou uma outra palavra qualquer, mas Deus não é a palavra que você usa. O fato de você usá-la não significa que você conheça Deus; você apenas conhece a palavra. Eu não uso essa palavra pela simples razão de que você a conhece. O que você conhece não é o real. E, além disso, para encontrar a realidade, todas as murmurações verbais da mente devem cessar, não devem? Você constrói imagens de Deus, mas essas imagens não são Deus, claro. Como você pode conhecer Deus???

Obviamente, não através de uma imagem, não através de um templo. Para hospedar Deus, o não-conhecido, a mente precisa ser o não-conhecido. Se você parte no encalço de Deus, então você já conhece Deus, você conhece o objetivo. Você sabe o que está perseguindo, não é mesmo? Se você busca a Deus, você deve saber o que é deus, do contrário não o estaria buscando, não é mesmo? Você o busca ou de acordo com seus livros, ou de acordo com seus sentimentos e seus sentimentos não passam de resposta da memória. Portanto, aquilo que você busca já está criado ou por intermédio da memória ou da tradição e aquilo que é criado não é eterno — é produto da mente.

Se não existissem livros, se não existissem gurus, se não existissem fórmulas para serem repetidas, você só conheceria a tristeza e a alegria, não é? — tristeza constante e raros momentos de alegria. E então você gostaria de saber por que sofre. Você não poderia se amparar em Deus — mas, provavelmente, enfrentaria outras formas de proteção, e logo inventaria deuses como uma saída. Mas se você quer realmente entender todo o processo do sofrimento, como um novo homem, como um outro homem, indagando e não fugindo, então você se libertará da tristeza, e então descobrirá o que é a realidade, o que é Deus. Porém, um homem infeliz não pode encontrar Deus ou a realidade; a realidade só pode ser encontrada quando cessa o sofrimento, quando reina a alegria, não como um contraste, não como um oposto, mas como um estado de existir no qual não existem opostos.

De forma que o não-conhecido, aquilo que não é criado pela mente, não pode ser formulado pela mente. O não-conhecido não pode ser pensado. A partir do momento que você pensa a respeito do não-conhecido, o não-conhecido já se transformou em conhecido. Claro que você não pode pensar a respeito do não-conhecido, pode? Você só pode pensar a respeito do conhecido. O pensamento se move do conhecido para o conhecido; e o conhecido não é a realidade, é?  Portanto, quando você pensa e medita, quando você se concentra e pensa em Deus, você somente pensa a respeito do que é conhecido e o que é conhecido faz parte do tempo; está emaranhado na rede do tempo e, por conseguinte, não é o real. A realidade só se concretiza quando a mente se liberta das malhas do tempo.

Quando a mente deixa de criar, nasce a criação. Isto é, a mente precisa estar absolutamente quieta, mas não devido a uma quietude induzida, hipnotizada, que representa apenas um resultado. Tentar chegar à quietude para experienciar a realidade é uma outra forma de fuga. Só existe silêncio quando cessam todos os problemas. Como é calmo o lago quando cessa a brisa, assim a mente se torna naturalmente quieta quando o agitador, o pensador para. Para acabar com o pensador, todos os pensamentos que ele arquiteta devem acabar. De nada adianta construir uma barreira, uma resistência contra o pensamento, porque os pensamentos é que devem acabar.

Quando a mente está quieta, a realidade, o indescritível, se concretiza. Você não pode convidá-la. Para convidá-la, você precisa conhecê-la e o conhecido não é o real. De forma que a mente precisa ser simples, livre de crenças, de ideações. E, quando há quietude, quando não existe nem desejo, nem ansiedade, quando a mente está absolutamente tranquila, dentro de uma tranquilidade que não é induzida, então, a realidade chega.  E essa verdade, essa realidade, é o único agente transformador; é o único fator que acarreta uma revolução radical, fundamental na existência, em nossa vida diária. E encontrar essa realidade não é procurá-la, mas entender os fatores que agitam a mente, que perturbam a própria mente. Então a mente se torna simples, quieta, tranquila. Nessa tranquilidade o não-conhecido, o incognoscível se concretiza. E, quando isso acontece, é uma benção.
Krishnamurti — Bombaim, 8/02/1948 — Collected Works of J. Krishnamurti

Resultado de imagem para imagens de jidduInterrogante: Fale-nos de Deus. 

Krishnamurti: Em vez de eu lhes dizer o que é Deus, vamos ver se vocês podem conceber esse estado maravilhoso, não no amanhã ou num futuro distante, mas agora, neste momento que estamos aqui tranquilamente reunidos. Claro que isso é muito mais importante. Mas, para descobrir deus, todas as crenças devem ser abolidas. A mente que poderia descobrir o que é a verdade, não pode acreditar na verdade, não pode formular teorias ou hipóteses a respeito de Deus. Por favor, prestem atenção. Vocês formulam hipóteses, vocês têm crenças, vocês têm dogmas, estão cheios de conjecturas. Pelo fato de terem lido este ou aquele livro a respeito do que é a verdade ou do que é Deus, suas mentes estão espantosamente inquietas. Uma mente cheia de conhecimentos é inquieta; é intranquila, está apenas sobrecarregada e carga pura e simples não é sinal de uma mente tranquila. Quando a mente está cheia de crenças, acreditando ou não se Deus existe, ela está sobrecarregada e uma mente sobrecarregada não pode jamais descobrir o que é a verdade. Para descobrir a verdade, a mente precisa estar livre, livre de rituais, de crenças, de dogmas, de conhecimento e de experiência. Somente então ela poderá compreender o que é a verdade. Pelo fato de tal mente estar quieta, ela não mais realiza o movimento de entrar ou o movimento de sair, que é o movimento do desejo. Ela não possui desejos reprimidos, o que é energia. pelo contrário, para que a mente esteja quieta é preciso haver uma grande quantidade de energia; mas não pode haver pleno desenvolvimento ou abundância de energia se existir qualquer forma de movimento para fora e, por conseguinte, de movimento para dentro. Quando tudo isso tiver serenado, a mente se aquietará.

Eu não estou tentando hipnotizá-los para que vocês fiquem quietos, para que vocês se calem. Vocês mesmo precisam reconhecer a importância de abandonar, de afastar sem esforço, sem resistência, todo o acúmulo de séculos, de supertições, de conhecimentos, de crenças; precisam reconhecer que qualquer forma de carga torna a mente inquieta, dissipa energia. Para a mente estar quieta é preciso haver energia em abundância, e essa energia precisa estar tranquila. E se vocês chegarem realmente a esse estado no qual não existe esforço, então constatarão que a energia, estando imóvel, possui seu próprio movimento, o qual não resulta das pressões ou compulsões sociais. Pelo fato de a mente possuir uma energia abundante, imóvel e silenciosa, a própria mente se transforma naquilo que é sublime. Não existe experimentador do sublime: não existe alguém que diga “eu experimentei a realidade”. Enquanto houver um experimentador, a realidade não pode existir, porque o experimentador equivale ao movimento de angariar experiência e de acabar com a experiência. De forma que é preciso que o experimentador deixe totalmente de existir.

Atentem simplesmente a isto. Não façam nenhum esforço, apenas compreendam que o experimentador tem de chegar ao fim. É preciso que ocorra a cessação total de todo esse movimento e isso demanda, não a supressão da energia, mas uma energia espantosa. Quando a mente estiver completamente quieta, calada, isto é, quando a energia não estiver sendo nem dissipada nem distorcida por obra da disciplina, essa energia se transformará em amor e o real não estará apartado da própria energia.

Krishnamurti — Bombaim, 27/02/1955 — Collected Works of J. Krishnamurti

Visão pessoal…

Através das idades veio o homem buscando uma certa coisa além de si próprio, além do bem-estar material — uma coisa que se pode chamar verdade, Deus ou realidade, um estado atemporal — algo que não possa ser perturbado pelas circunstâncias, pelo pensamento ou pela corrupção humana.O homem sempre indagou: Qual a finalidade de tudo isto? Tem a vida alguma significação? Vendo a enorme confusão reinante na vida, as brutalidades, as revoltas, as guerras, as intermináveis divisões dá religião, da ideologia, da nacionalidade, pergunta o homem, com um profundo sentimento de frustração, o que se deve fazer, o que é isso que se chama viver e se alguma coisa existe além de seus limites.E, não podendo encontrar essa coisa sem nome e de mil nomes que sempre buscou, o homem cultivou a fé — fé num salvador ou num ideal, a fé que invariavelmente gera a violência.Nesta batalha constante que chamamos “viver”, procuramos estabelecer um código de conduta, conforme a sociedade em que somos criados, quer seja uma sociedade comunista, quer uma pretensa sociedade livre; aceitamos um padrão de comportamento como parte de nossa tradição hinduísta, muçulmana, cristã ou outra. Esperamos que alguém nos diga o que é conduta justa ou injusta, pensamento correto ou incorreto e, pela observância desse padrão, nossa conduta e nosso pensar se tornam mecânicos, nossas reações, automáticas. Pode-se observar isso muito facilmente em nós mesmos.Durante séculos fomos amparados por nossos instrutores, nossas autoridades, nossos livros, nossos santos.e satisfazemo-nos com suas descrições, quer dizer, vivemos de palavras, e nossas vidas são superficiais e vazias. Não somos originais. Temos vivido das coisas que nos tem dito, ou guiados por nossas inclinações, nossas tendências, ou impelidos a aceitar pelas circunstâncias e o ambiente. Somos o resultado de toda espécie de influências e em nós nada existe de novo, nada descoberto por nós mesmos, nada original, inédito, claro;garantem-nos os guias religiosos que, se observarmos determinados rituais, recitarmos certas preces e versos sagrados, obedecermos a alguns padrões, refrearmos nossos desejos, controlarmos nossos pensamentos, sublimarmos nossas paixões, se nos abstivermos dos prazeres sexuais, então, após torturar suficientemente o corpo e o espírito, encontraremos uma certa coisa além desta vida desprezível. É isso o que tem feito, no decurso das idades, milhões de indivíduos ditos religiosos, quer pelo isolamento, nos desertos, nas montanhas, numa caverna, quer peregrinando de aldeia em aldeia a esmolar, quer em grupos, ingressando em mosteiros e forçando a mente a ajustar-se a padrões estabelecidos. Mas, a mente que foi torturada, subjugada, a mente que deseja fugir a toda agitação, que renunciou ao mundo exterior e se tornou embotada pela disciplina e o ajustamento — essa mente, por mais longamente que busque, o que achar será em conformidade com sua própria deformação.Assim, para descobrir se de fato existe ou não alguma coisa além desta existência ansiosa, culpada, temerosa, competidora, parece-me necessário tomarmos um caminho completamente diferente. O caminho tradicional parte da periferia para dentro, para, através do tempo, da prática e da renúncia, atingir gradualmente aquela flor interior, aquela íntima beleza e amor — enfim, tudo fazer para nos tornarmos estreitos, vulgares e falsos; retirar as camadas uma a uma; precisar do tempo: amanhã ou na próxima vida chegaremos — e quando, afinal, atingimos o centro, não encontramos nada, porque nossa mente se tornou incapaz, embotada, insensível.Após observar esse processo, perguntamos a nós mesmos se não haverá outro caminho totalmente diferente, isto é, se não teremos possibilidade de “explodir” do centro.O mundo aceita e segue o caminho tradicional. A causa primária da desordem em nós existente é estarmos buscando a realidade prometida por outrem; mecanicamente seguimos todo aquele que nos garante uma vida espiritual confortável. É um fato verdadeiramente singular esse, que, embora em maioria sejamos contrários à tirania política e à ditadura, interiormente aceitamos a autoridade, a tirania de outros, permitindo deformar a nossa mente e a nossa vida. Assim, se de todo rejeitarmos, não intelectual, porém realmente, a autoridade dita espiritual, as cerimônias, rituais e dogmas, isso significará que estamos sozinhos, em conflito com a sociedade; deixaremos de ser entes humanos respeitáveis. Ora, um ente humano respeitável nenhuma possibilidade tem de aproximar-se daquela infinita, imensurável realidade.A pergunta sobre se há Deus, verdade, ou realidade — ou como se queira chamá-lo — jamais será respondida pelos livros, pelos sacerdotes,  filósofos  ou salvadores. Ninguém e nada pode responder a essa pergunta, porém, somente nós mesmos, e essa é a razão por que devemos conhecer-nos. Só há falta de maturidade na total ignorância de si mesmo. A compreensão de si próprio é o começo da sabedoria….

Inspiração….

ICK Instituição Cultural Krishnamurti

Krishnamurti – A Arte de Viver.pdf

Liberte-se do Passado, J. Krishnamurti

Krishnamurti – O Despertar da Sensibilidade.pdf

Krishnamurti – O Homem e Seus Desejos Em Conflito.pdf

Monicavox

Recomendo….

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